aprendo com várias — e com aquilo que a vida me ensina quando estou disposta a escutar.
Minha relação com espiritualidade não está fechada em uma definição. Tem mais a ver com consciência, presença e com a tentativa de compreender a experiência de estar viva de um jeito mais amplo.
Isso atravessa meu olhar clínico — mas não como regra. Como sensibilidade. Não chego em sessão com vocabulário espiritual; chego com escuta. Mas se a pessoa traz uma experiência que pede esse olhar, eu sei recebê-la sem reduzir e sem patologizar.
Existe algo de espiritual em ouvir alguém de verdade. Em deixar que a fala respire. Em aceitar que nem tudo precisa virar resposta. Em reconhecer que há mais entre céu e terra do que cabe nos manuais.
Aprendo com o budismo, com tradições afro-brasileiras, com a fenomenologia, com os estudos contemporâneos sobre estados expandidos de consciência. Aprendo com o silêncio. Aprendo com a natureza. Aprendo com a clínica — todos os dias.
como prática diária, não como destino. estar atenta ao que está acontecendo.
estar inteira no que está acontecendo agora, mesmo quando o agora é difícil.
respeitar o que ainda não tem nome. nem tudo precisa ser resolvido.
como mestra silenciosa, sempre. ela me lembra do tempo das coisas.
Não é uma bibliografia, é uma constelação. Algumas dessas vozes habitam a minha sala de atendimento mesmo quando não são citadas.
"intensidade, vertigem, e a coragem de dizer o indizível."
"sobre como a gente fica de pé sem fugir do que dói."
"experiências expandidas como campo legítimo da clínica."
"clínica e mundo, sem espaço pra fingir que são separados."
"sobre tempo, terra, e o que a gente não sabe escutar."
"a base — escuta sem julgamento, sempre como ponto de partida."
caroline · sobre clínica e presença