O que mais me move no meu trabalho é a curiosidade pelo que acontece dentro das pessoas, inclusive dentro de mim. Não vejo a terapia como um lugar de respostas prontas. Para mim, ela é um espaço de clareza — um lugar onde pensamentos, emoções e experiências podem, aos poucos, encontrar forma e sentido.
Acredito profundamente no poder da fala, porque quando conseguimos colocar em palavras aquilo que vivemos, começamos a organizar o que antes parecia confuso. É como abrir uma caixa cheia de peças misturadas e, com calma, descobrir que existe uma imagem possível de ser construída.
Escolhi uma abordagem integrativa porque acredito que nenhuma teoria, sozinha, é capaz de explicar toda a complexidade humana. Minha base é a Terapia Cognitivo-Comportamental, mas gosto de olhar para cada pessoa considerando sua história, suas relações, seu corpo, suas emoções e a forma única como construiu seu jeito de existir no mundo. Para mim, compreender alguém é muito mais importante do que encaixá-lo em um conceito.
Tenho um interesse especial por processos de autoconhecimento, expansão de consciência e transformação emocional. Também estudo temas relacionados aos psicodélicos e à maconha no contexto da psicologia: faço parte do Grupo de Trabalho sobre Maconha e Psicodélicos do CRP, participo da Marcha da Maconha e já estive em congressos dedicados a esse tema, porque acredito que esses debates merecem ser conduzidos com responsabilidade, ética e abertura ao conhecimento.
Minha trajetória também foi construída fora dos consultórios. Ao longo de mais de quinze anos, participei de diversos projetos sociais que ampliaram profundamente a minha forma de compreender o cuidado — iniciativas em agroecologia, em assentamentos do MST, em territórios indígenas, junto a comunidades ciganas e a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Essas experiências me ensinaram que cada realidade tem sua própria forma de existir e que escutar, antes de qualquer intervenção, é um ato de respeito. Atualmente, também faço parte de uma comissão de saúde voltada ao trabalho com pessoas idosas.
Como pessoa, sou sensível, reflexiva e curiosa. Gosto de fazer perguntas, de observar os detalhes e de compreender os processos que nos tornam quem somos. Valorizo autenticidade, liberdade e consciência, e procuro levar esses mesmos valores para o espaço terapêutico. Mais do que oferecer respostas, o que desejo é construir um espaço onde você possa compreender melhor a si mesmo, organizar pensamentos, acolher emoções e se aproximar, com mais gentileza, da sua própria história.
Depois de conhecer um pouco da minha história, me conte a sua.
atravessada pelas experiências, pelas pessoas, pela intensidade do que acontece dentro e fora.
aprendo o tempo todo. com livros, conversas, silêncios, e com aquilo que ainda não tem resposta.
a clínica não está fora do mundo. e eu não posso fingir que está, mesmo quando seria mais cômodo.
prefiro a verdade incômoda à cordialidade vazia. e isso atravessa o que escrevo, falo e escuto.
razão e sensibilidade, corpo e mente, estudo e intuição. nada disso é separado em mim.
como qualquer pessoa. me sinto à vontade dizendo isso, inclusive em sessão.
A formação importa, mas não substitui o trabalho de estar com alguém. Esses são alguns marcos — sem fetichizar credenciais.
A próxima parada natural é entender como o atendimento acontece — ou ler o que tenho escrito no Clareia.