Faço parte do GT de Maconha e Psicodélicos do CRP, participo da Marcha da Maconha há anos, e acompanho de perto as discussões que envolvem política, saúde mental e direitos. Meu interesse vem da necessidade de olhar pra esses temas com menos julgamento e mais responsabilidade — e de uma história pessoal que me ensinou que o silêncio também é uma escolha.
A guerra às drogas é uma guerra contra pessoas — em sua maioria pretas, periféricas, jovens. A psicologia tem papel nessa história. Eu escolho cuidado.
Em 2025, fui processada injustamente pelo Ministério Público pelo crime de existir publicamente como militante das pautas antiproibicionistas. Falei abertamente, em redes e em espaços coletivos, sobre redução de danos, sobre o uso terapêutico da maconha, sobre a hipocrisia da guerra às drogas. Isso, pra alguns, virou crime.
A absolvição veio. A cicatriz fica. A militância segue — porque o silêncio profissional, na prática, é cumplicidade.
Foi nessa frase, dita em conversa com uma amiga advogada, que comecei a entender o tamanho do que estava acontecendo. A acusação chegou. O processo correu. A defesa foi feita com cuidado e com rede — porque ninguém atravessa essas coisas sozinha.
A absolvição veio, mas o ponto não é vencer. O ponto é continuar dizendo. Porque foram justamente as vozes que se calaram, ao longo da história, que sustentaram as estruturas mais violentas desse país.
continuo aqui.
O Grupo de Trabalho do Conselho Regional de Psicologia reúne profissionais que estudam, atendem e escrevem sobre os usos terapêuticos e contextuais de substâncias psicoativas. Discutimos limites éticos, formação, responsabilidade técnica e implicações políticas — sempre com base em evidência e em escuta de quem usa.
Nosso trabalho informa diretrizes do Conselho, formações para psicólogas e materiais públicos sobre o tema. Acredito profundamente nesse espaço.
Participação como delegada e na escrita de eixo sobre saúde mental e redução de danos.
Pelo crime de existir publicamente como militante. A absolvição veio. A cicatriz fica. A militância segue.
Mais um ano nas ruas. Ato pela regulamentação, pela saúde, pelo fim da guerra às drogas e seus alvos racializados.
Primeira reunião. Levei nervosismo, levei estudo, levei vontade de construir diretrizes que levem a sério a vida das pessoas.
Apresentação sobre escuta clínica e experiências expandidas — a fala como ponte entre o vivido e o significado.
Organização de formação para colegas que atendem pessoas que usam — sem moralismo, sem patologização automática.
Saí na rua sem entender direito tudo o que estava ali. Saí entendendo um pouco mais — e querendo entender ainda mais.
maconha medicinal e adulta com critérios técnicos, sanitários e sociais — não com moralismo.
como prática clínica, política pública e ética profissional. acolher, não punir.
política que mata pessoas pretas e periféricas há quatro décadas. é hora de dizer chega.
a psicologia que cuida não pode ser a mesma que vigia, classifica e estigmatiza.
SUS forte, escuta pública, apoio comunitário. cuidado não pode ser privilégio.
nem promessa fácil, nem demonização preguiçosa. estudo sério, cuidado real.
Os textos no Clareia são onde aprofundo cada uma dessas pautas, com a calma e o cuidado que esses temas pedem.
ler ensaios →